Sua empresa sabe usar a lei de cotas de forma estratégica?

A Lei de Cotas, de 1999, define que empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a preencher de 2% a 5% de seus cargos utilizando profissionais com deficiência ou beneficiários reabilitados da Previdência Social.

Desde então, existe um esforço das empresas no cumprimento da lei, assim como para apresentar seus quadros de funcionários com deficiência como parte dos resultados da atuação socialmente responsável no quesito “respeito e promoção da diversidade”. Exemplos seriam os indicadores Ethos de dimensão social #23 ao 36 e o Aspecto Diversidade e Igualdade de Oportunidades da GRI (Global Reporting Initiative).

Contudo, um aproveitamento mais estratégico desses profissionais dentro da empresa pode trazer resultados muito maiores. Os benefícios abrangem desde a otimização de processos, passando pela abertura de novos mercados e muito mais.

Ao extrapolarmos as vantagens sociais da contratação de pessoas com deficiência e enxergarmos a atuação desses profissionais como uma oportunidade de a organização obter resultados com uma equipe múltipla e diversa, envolvendo diversas funções, passamos a ter uma visão diferenciada do próprio negócio.

Profissionais com deficiência são potencialmente um poderoso diferencial competitivo, capazes de trazer um olhar crítico e criativo no ambiente de trabalho, sob novos ângulos, que a maioria das pessoas ignora, mesmo sendo prováveis beneficiadas pelas melhorias e inovações do negócio.

É um universo a ser explorado de novos oportunidades e soluções inovadoras e lucrativas. Alguns exemplos das áreas e soluções que os profissionais com deficiência podem fazer a diferença no negócio são: 

QUALIDADE

O profissional com deficiência pode potencialmente colaborar para o aumento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos por uma organização. Muitas vezes, suas limitações podem ser as mesmas de muitos clientes e conseguir supera-las e atende-las com eficiência otimizam resultados no geral.

Um exemplo de melhoria na qualidade com a atuação de uma profissional com deficiência é no teste de qualidade de um produto, como uma maçaneta, em que um deficiente físico aprova ou não a facilidade de utilização do dispositivo na abertura e fechamento de portas.

INOVAÇÃO

Pensar em soluções diferentes, trazer novos olhares para antigos processos e problemas são algumas das inovações que os profissionais com deficiência podem trazer para uma organização.

Uma inovação que melhorou os serviços do metrô, por exemplo, é o aviso sonoro em cada estação, que ajuda não apenas os deficientes visuais, mas também outros usuários do transporte a perceber em que estação estão e em que porta desembarcar.

ATENDIMENTO

Os profissionais com deficiência também podem ajudar a empresa a ter mais cuidado e empatia com os clientes, trazendo uma visão crítica das falhas nos processos de atendimento e ideias de aprimoramentos na performance.

Algumas deficiencias cognitivas, por exemplo, facilitam um melhor entendimento de problemas que consumidores enfrentam no dia a dia que na visão dos técnicos podem passar despercebidas.

ACESSIBILIDADE E ABERTURA DE NOVOS MERCADOS

Além das áreas tradicionais, os profissionais com deficiência tem mais sensibilidade para identificar desafios de acessibilidade arquitetônica, operacional e atitudinal dentro de uma organização, melhorando as soluções de acessibilidade internamente e para os clientes.

Isso traz abertura para novos mercados consumidores, melhorando a visão de novas oportunidades de negócio e gerando mais consumo.

As pessoas com deficiência são ótimas auditoras em relação a diferentes aspectos da acessibilidade, pois elas têm mais facilidade em identificar desafios em relação à sua própria deficiência. Elas permitem desenvolver iniciativas que melhoram experiências para os clientes e resultados para o negócio.

Existem processos, como os testes de acessibilidade web, em que a presença de profissionais com deficiência para a auditoria na navegação de sites é fundamental para se ter resultados eficientes nas análises e recomendações de atuação.

Entender e valorizar o potencial de cada profissional com deficiência torna os negócios mais competitivos e lucrativos. Quando uma organização entende e internaliza esse valor como parte de sua cultura, ela se torna mais forte e sustentável, indo muito além do cumprimento de lei ou do reforço de reputação de cidadania corporativa.